quinta-feira, 4 de setembro de 2025

O encantador de almas

Á um ano atrás os meu olhos enchiam-se de brilho ao olhar para ti. 
A forma como me tocavas, davas a mão, olhavas e sorrias para mim.
Sentia-me uma verdadeira princesa do teu lado. 
Caminhavas de mão dada comigo, dormias agarrado a mim. 
O nosso amor era visível a kilometros de distância. 
Sempre me abriste as portas, ajeitavas-me o cabelo, davas-me a mão. 
Passava horas só a olhar para ti e a pensar como me podias fazer tão feliz. 
Prometeste-me uma família, um casamento, filhos e uma vida boa. 
Perdi-me nas tuas palavras, no teu charme, na tua maneira doce de me tocar.
E a verdade foi que te fui perdendo. Fui-me perdendo. 
Deixaste de dar a mao, comecei a caminhar sozinha, passei a abrir e a fechar as minhas próprias portas e encontrei-me perdida no vazio desse romance de cinema. 
Olhei para os lados e já não estavas. A tua presença cada vez era menos visível e perceptível aos sentidos. 
Encontrei palavras que te escrevi ainda no tempo que sonhava contigo. Posso dizer que foste apenas uma manifestação minha. Um fruto do meu querer. 
A ideia de família cada vez se tornou mais confusa, o bebê cada vez mais distante e o casamento impossibilitado de se realizar.
Acredito com todo o meu ser que bebés só vêm a este mundo quando é a altura certa e por isso ainda não chegou. 
A cegueira desse teu amor deu lugar a uma desconfiança e descrença constante, a uma instabilidade emocional que de todo dá lugar para uma nova vida nascer. 
Desdobrei-me em mil e uma personalidades para conseguir chegar até aqui e deixar que nada faltasse a ninguém para no fim perceber que mais uma vez cometi os mesmos erros. 
O querer agradar a todos, fazer das tripas coração para todos, para me esquecer de mim mesma. 
Mas que orgulho tinha em ti, não imaginas a forma como falava de ti as outras pessoas. Para mim, eras um deus na terra. 
Fazias-me sentir segura, calma, confiante. E aos poucos tudo isso foi desaparecendo. 
Vi-me obrigada a usar de novo a minha armadura, a lutar sozinha pelo que queria e precisava, a viver um dia de cada vez e estar aqui apenas para o que precisasses.
Fui perdendo outra vez a minha luz e a minha magia. 
Aí se tu soubesses como eu te idolatrava. Eras o homem dos meus sonhos. 
Agora falo e tu não respondes. Choro e não queres saber. Rio e tu não ligas. 
Navego sozinha pelas tempestades, sem medo é verdade, mas com uma capa rasgada de guerreira qie um dia acreditou ter encontrado o príncipe dos seu sonhos. FIM 

(Escrito 2/5/2025 e publicado 4/9/2025) Raphael. O encantador de almas