A forma como me tocavas, davas a mão, olhavas e sorrias para mim.
Sentia-me uma verdadeira princesa do teu lado.
Caminhavas de mão dada comigo, dormias agarrado a mim.
O nosso amor era visível a kilometros de distância.
Sempre me abriste as portas, ajeitavas-me o cabelo, davas-me a mão.
Passava horas só a olhar para ti e a pensar como me podias fazer tão feliz.
Prometeste-me uma família, um casamento, filhos e uma vida boa.
Perdi-me nas tuas palavras, no teu charme, na tua maneira doce de me tocar.
E a verdade foi que te fui perdendo. Fui-me perdendo.
Deixaste de dar a mao, comecei a caminhar sozinha, passei a abrir e a fechar as minhas próprias portas e encontrei-me perdida no vazio desse romance de cinema.
Olhei para os lados e já não estavas. A tua presença cada vez era menos visível e perceptível aos sentidos.
Encontrei palavras que te escrevi ainda no tempo que sonhava contigo. Posso dizer que foste apenas uma manifestação minha. Um fruto do meu querer.
A ideia de família cada vez se tornou mais confusa, o bebê cada vez mais distante e o casamento impossibilitado de se realizar.
Acredito com todo o meu ser que bebés só vêm a este mundo quando é a altura certa e por isso ainda não chegou.
A cegueira desse teu amor deu lugar a uma desconfiança e descrença constante, a uma instabilidade emocional que de todo dá lugar para uma nova vida nascer.
Desdobrei-me em mil e uma personalidades para conseguir chegar até aqui e deixar que nada faltasse a ninguém para no fim perceber que mais uma vez cometi os mesmos erros.
O querer agradar a todos, fazer das tripas coração para todos, para me esquecer de mim mesma.
Mas que orgulho tinha em ti, não imaginas a forma como falava de ti as outras pessoas. Para mim, eras um deus na terra.
Fazias-me sentir segura, calma, confiante. E aos poucos tudo isso foi desaparecendo.
Vi-me obrigada a usar de novo a minha armadura, a lutar sozinha pelo que queria e precisava, a viver um dia de cada vez e estar aqui apenas para o que precisasses.
Fui perdendo outra vez a minha luz e a minha magia.
Aí se tu soubesses como eu te idolatrava. Eras o homem dos meus sonhos.
Agora falo e tu não respondes. Choro e não queres saber. Rio e tu não ligas.
Navego sozinha pelas tempestades, sem medo é verdade, mas com uma capa rasgada de guerreira qie um dia acreditou ter encontrado o príncipe dos seu sonhos. FIM
(Escrito 2/5/2025 e publicado 4/9/2025) Raphael. O encantador de almas



